A louca dos gatos

As ironias da vida são engraçadas. Eu sempre critiquei as mulheres que só falavam de seus filhos e as chamava de mães-fraldas. Não aguentava quem só falava de leite, fórmulas, fraldas e mamadeiras. De certo modo, mordi a língua e virei a louca dos gatos.

No começo do ano, pensei em adotar gatos. Eu gosto tanto de gatos como gosto de cachorros, mas os gatos sempre me pareceram muito mais independentes. Queria dois de uma vez e quando conversei com meus amigos gateiros, eles me aconselharam a fazer isso mesmo: dois gatos, de certa forma, dão menos trabalho que um porque um brincará com o outro e ambos se farão companhia. Além disso, poderíamos viajar por alguns dias se deixássemos muita comida, água e dois ou três caixas de areia pela casa.

O Jorge queria um. Eu o convenci a pegar dois. Adotamos três.

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Por Madrid… #Gratidão

Há meses não escrevo um texto meu. Acho que acontece. A vida acontece e há coisas que não podem parar. A vida toma conta e, muitas vezes, as coisas que gostamos são deixadas para depois. Acontece.

No final de 2016, estava cansada do meu antigo trabalho. Para ser honesta, não estava tão cansada do trabalho porque recém havia mudado de departamento e trabalhava com a melhor chefa que tive na vida, Sonia Serrano. O fato é que estava ganhando pouco e a empresa que estava parecia muito engessada para que pudesse crescer ou ganhar melhor em menos tempo.

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RENT 

Há muito mais de 20 anos, Jonathan Larson escrevia RENT enquanto trabalhava como garçom em NYC para pagar suas contas. Não sei se ele tinha idéia do sucesso que o musical teria, mas espero que ele tenha visto, do céu, quando foi premiado com o Tony Awards, o Oscar do teatro: ele faleceu um dia antes que o musical estreasse na Broadway.

Em 1999 (obrigada por me lembrarem de quanto tempo passou e de quão velha estou, Giu e Dê! 😂), RENT estreou no Teatro Ópera, em São Paulo. Acho que foi o primeiro musical da Broadway que estreou no Brasil, com elenco brasileiro e canções em português.

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21 de dezembro de 2016

Sempre ouço/leio as pessoas dizerem que certo ano foi o mais duro, o mais difícil, o mais cheio de surpresas e que ele tem que acabar. Acho que a memória prega peças e limpa o passado porque, olhando em retrospectiva, todos os anos me parecem montanhas-russas, com altos e baixos, emoções e alguns momentos em que fechamos os olhos só para curtir o vento batendo na nossa cara. Em todos os anos, famosos se casam, têm filhos, se separam (Fátima Bernardes/William Bonner e Brangelina não foram os primeiros casais que se separam na história da humanidade) ou morrem. Há escândalos políticos e algum acidente, maior ou menor, acontece. Mas também há nascimentos, reencontros acontecem e há momentos em que suspiramos pela lua linda do céu. Porque os anos compõe a vida e essa é feita de momentos bons e outros não tão bons assim.

Aproveitando o gancho, faço minha retrospectiva pessoal, hoje, no solstício de inverno. Exceto por 2010, o ano que guardarei na memória como aquele no que tudo deu certo, e 2013, que recordarei como o ano que me tornei uma mulher-Almodovar – à beira de um ataque de nervos – e quase me perdi no buraco do coelho da Alice para todo sempre, todos os anos têm seus altos e baixos, com alguns tropeços, eventuais (e rápidas) visitas ao buraco do coelho e vários pontos altos nos que acho que a vida não poderia ser melhor. E 2016 não foi muito diferente.

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Minha vida em Madrid: de volta aos estudos!

Há tanto que não escrevo para o Trotamundos que acabei por acumular muitas histórias, algumas viagens e situações de vida. Quem acompanha esse meu diário de bordo sabe que diversas vezes um forte desespero me abate e eu caio no buraco do coelho de Alice, perseguindo um peludo branco que carrega um relógio e está sempre atrasado. Esses momentos não são legais no sentido de “divertidos”, mas são ocasionais e têm duração determinada. Muitas vezes são, inclusive, necessários – só não posso me permitir ficar lá para sempre; levantar-se é preciso. Sacudir a poeira e seguir em frente também, afinal, a vida segue e não há retornos nesse caminho.

Mais de um ano se passou desde que eu cheguei a Madrid. No último outubro, comecei um mestrado em Finanças e Contabilidade, algo que ocupou minhas tardes de sexta e manhãs de sábado. Outubro, por sinal, foi um bom mês: havia recém saído de uma das minhas crises de buraco do coelho e havia recém mudado para um apartamento que chamaria de meu. Amo minha sogra, mas morar com ela não dá simplesmente porque conviver é duro. O problema de se começar um mestrado era que, obviamente, meu fim de semana ficaria reduzido a um dia. Só um dia para acordar sem despertador. Parecia desalentador, mas meus colegas de classe são ótimos e as aulas, dinâmicas, fatores que ajudaram a minha adaptação em acordar cedo nos sábados: ainda não gosto de acordar com despertador 6/7 dias da semana – acho que nunca vou, de fato, “gostar” -, mas não é tão ruim.

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Solstício de verão: o dia mais longo de 2016!

20 de junho de 2016 é, segundo a Wikipedia, o solstício de verão no hemisfério norte. E, durante os solsticios, tanto de verão como de inverno, gosto de fazer uma retrospectiva do seis meses que passaram, embora não publique uma desde o começo de 2015. Então, vamos por partes, shall we?

2015… O que aconteceu?

Foi o ano que surtei na Ásia e decidi voltar para a Europa. Bom, a volta estava planejada desde o final de 2014, mas foi o ano que finalmente empacotei minhas coisas, entreguei minha carta de demissão e vim tentar a vida na minha Espanha querida ❤: meus cinco anos de reclusão asiática se acabavam. Continuar lendo

#BelaRecatadaeDoLar: outra jogada?

Ao sair para o almoço, abri a matéria da Veja “Marcela Temer: bela, recatada e ‘do lar’” e meu estômago revirou ao ler as suas primeiras linhas: “Marcela Temer é uma mulher de sorte. Michel Temer, seu marido há treze anos, continua a lhe dar provas de que a paixão não arrefeceu com o tempo nem com a convulsão política que vive o país”. WTF??? Tive que voltar e verificar se tinha sido, de fato, publicado pela Veja e não pela Caras.

A princípio, não consegui ler o artigo até o final; meu queixo caía pelo seu conteúdo folhetinesco de uma revista de fofoca. Para mim, aquilo parecia uma narração de um conto de fadas de uma princesa. Tive vontade de arrancar meus globos oculares com uma pinça: meus olhos não podiam acreditar naquele machismo explícito do título e um tanto quanto presente no texto que descreve a primeira dama perfeita, aquela que, embora tenha se formado em direito, nunca exerceu a profissão, explicando que “Marcela é uma vice-primeira-dama do lar”. Em suma, uma mulher linda, inteligente e que sabe o seu lugar…

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