21 de dezembro de 2017 – o dia mais curto do ano

Hoje é o dia mais curto do ano. Em Madrid, o sol nasceu às 8:34h e se pôs às 17:48h, embora tenha amanhecido às 8:03h e anoitecido às 18:22h. O dia durou exatos 9h17m06s segundo o site vercalendario.info, sendo o dia mais curto do ano.

Igualmente, faltam 10 dias para que 2017 diga adeus e em poucos dias – 4, para ser exata – a maior parte de nós estaremos sentados ao redor de uma mesa com nossas famílias, as de sangue, as políticas ou as que adotamos no caminho da vida. Para mim, esse é um momento de pensar e refletir sobre o ano que passou.

Acho que pulei algumas dessas minhas retrospectivas, mas esse ano é importante. 2017 foi o ano que completei dez anos vivendo fora do Brasil. Para alguns, parece um sonho, para outros, uma loucura que funcionou. A verdade é que poucas vezes perdi a fé de que tudo iria bem – até mesmo porque, qual seria a alternativa? Hoje, dez anos, cinco meses e alguns dias depois que me despedi da minha família e amigos, minha família adotada, no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, olho atrás e vejo que tudo se encaixou de maneira quase milagrosa. Foi preciso sair completamente da minha zona de conforto e mergulhar em culturas diferentes para que pudesse entender que o universo tem uma forma peculiar de fazer tudo dar certo, sempre.

2017 foi um ano estranho. Acho que definir um ano em “bom” ou “mau” é uma questão de ponto de vista. Há anos mais fáceis ou difíceis que outros, momentos melhores ou piores, mas a perspectiva de “ano bom” ou “ano ruim” depende muito de nós mesmos. No meu caso, 2017 foi um ano com muitas coisas boas e algumas coisas ruins que não percebi como sendo ruins. Foi um ano estranho…

Tinha vontade para que o ano começasse. Tinha acabado de começar em uma nova empresa e eu tinha muita ilusão de que daria certo. Também tinha muita vontade que chegasse abril porque meus pais viriam. Acho que a visita da minha família – pais, irmã e prima – no começo do ano foi o que mais esperava porque não via meus pais há mais de três anos e as saudades eram enormes.

Em Toledo, com minha família maravilhinda!

Por que passei três anos sem ver meus pais? Costumava ir ao Brasil uma vez a cada ano e meio. A média sempre funcionou para mim: quando começava a sentir muitas saudades ou ficava de muito saco cheio do mundo e queria partir, visitava minha primeira cidade-namorado, passava um tempo com meus pais, comia e bebia algumas das minhas comidas e bebidas favoritas no mundo e me reestruturava, física e emocionalmente. Quando chegou o ano e meio, em 2015, foi o momento que decidimos voltar para a Europa.

Embora tivesse economias, quando nos mudamos, nunca sabemos o tempo que demorará até que as coisas se ajustem. Tenho uma fé inabalável de que tudo sempre dá certo, de uma forma ou de outra – senão, qual é a alternativa? –, mas tento ser realista suficiente para não contar com ovos antes de mesmo ter uma galinha. Então, no momento que chegamos a Europa, embora fosse uma questão de tempo para que encontrássemos um emprego, a questão era prática, de quanto tempo seria vs. quanto dinheiro tínhamos. Apesar de nunca ter sido o tipo de pessoa que economiza centavos, ir ao Brasil não seria uma questão de centavos.

Demorou um pouco mais para que encontrasse um trabalho que me pagasse o mínimo, segundo minhas qualificações e experiência profissional. Além disso, 2016 foi o ano que comecei a estudar um mestrado em finanças e contabilidade, nos mudamos para um lugar que chamamos de nosso e mudei de emprego. 2016 foi um ano “1” segundo a numerologia e foi um ano de muitos inícios, mas, infelizmente, foi outro ano que não pude ir ao Brasil. Por esse motivo, fiquei três anos sem ver meus pais…

Minha irmã e minha prima chegaram umas semanas antes dos meus pais. A minha irmã coincidiria com eles uns dias e minha prima teria ido embora quando eles chegassem. Isso seria perfeito porque embora minha casa seja bastante confortável, não temos espaço para hospedar quatro pessoas confortavelmente. Enfim, entre o emprego novo, os estudos e trabalhos para o mestrado, os novos três membros da minha casa – Gini, Toni e León – e o planejamento das viagens que queria fazer quando meus pais chegassem tomou grande parte dos quatro primeiros meses do mês.

Em El Escorial, com minha prima, o Jorge e uns amigos!

O segundo quadrimestre do ano foi ocupado por stress no trabalho e por conciliar os trabalhos e horários do mestrado com minha vida. Voltar a estudar foi uma loucura: os horários, os trabalhos e a falta de dias para descansar cobraram seu preço. Junte a isso o fato de que eu não tinha tirado nenhum tempo de férias entre o emprego antigo e o novo e tínhamos uma Tati nervosa e estressada antes do final do segundo quadrimestre. Não foi um momento legal na minha vida e minha paciência para grosserias estava reduzida a quase zero.

O terceiro quadrimestre do ano foi marcado pelo meu cansaço, físico e mental. Havia terminado o mestrado, em grande parte devido aos meus maravilhosos companheiros que me apoiaram todos os momentos – até mesmo naqueles que achei que fosse romper, mas não havia descansado. Em algum período entre o final do segundo quadrimestre e o princípio do terceiro, fui ao Brasil e foi maravilhoso, mas não foi suficiente para que limpasse a mente e desconectasse completamente. Então fui despedida. A bump in the road, como falamos em inglês, um mero obstáculo no caminho. Nesse momento, o que poderia ter sido bem ruim me pareceu uma ótima oportunidade para descansar enquanto buscasse por um bom trabalho em uma excelente companhia multinacional. A merda havia virado benção. Era meu momento sabático!

O primeiro quadrimestre: highlights em ordem de acontecimento!
01-) Em A louca dos gatos, comentei sobre a alegria que me trouxeram os três gatos, meu Trio Maravilha. Agradeço a cada momento a existência deles na minha vida porque a companhia que eles me fazem é enorme e a alegria que trouxeram para essa casa é infinita. Eu e o Jorge viramos papais de gatos e amamos cada momento.

02-) A visita dos meus pais: viajamos e corremos juntos. Foi a primeira vez que nós quatro, meus pais, minha irmã e eu, participamos juntos de uma corrida, embora a distância mudasse: meu pai fez a maratona completa, os 42km, enquanto minha irmã, minha mãe e eu fizemos os 10k.

#WhyIRunMadrid: Rock’n’Roll Marathon em família! ❤

Meus pais ficaram duas semanas na Espanha. Se dependesse de mim, iríamos para todos os lados, mas eles queriam ficar um tempo em Madrid e não possuem a mesma disposição que eu para se locomover de um lado a outro. Tendo que escolher uma localização entre tantas as maravilhosas que existem na Espanha, decidi por ir a Sevilha e Córdoba. O AVE – trem de alta velocidade – que sai de Atocha, em Madrid, a caminho de Sevilha passa por Córdoba e achei que a viagem não fosse ser tão complicada já que seria uma parada no caminho de volta.

Sabia que eles amariam Sevilha e a cidade não os decepcionou. Aluguei um apartamento no casco histórico da cidade cuja varanda tinha vistas para a catedral. Eu amo Airbnb apesar das críticas que leio. Embora não pague impostos, acho uma alternativa justa para hotéis e apartamentos turísticos. Os apartamentos/casas costumam ser novos e bastante limpos além de oferecer uma casa onde se pode preparar alguma refeição, se quiser. Acho cômodo e conveniente.

Passamos três dias em Sevilha e dois dias em Córdoba. Córdoba era uma cidade que eu queria muito visitar, mas estava chovendo. Choveu nos dois dias que estivemos lá. Como, para mim, poucas condições meteorológicas me impedem de turistar, fiz o Free Walking Tour do centro debaixo de chuva.

Ponte Romana de Córdoba com minha mami! Esse é a ponte do reino de Volantis, de Game of Thrones ❤

Os Free Walking Tours são, em minha opinião, uma ótima forma de ter uma pincelada sobre a cidade. É uma caminhada de aproximadamente duas horas para a qual se deixa uma gorjeta – costumo deixar de cinco a dez euros, depende do quanto eu tenho e de o quão bom foi o tour. Confesso que teria sido mais agradável passear pela cidade com um tempo seco, mas foi divertido.

Córdoba é linda e a comida cordobesa não decepciona, mas, Córdoba é um tema para um post próprio.

Amei ter meus pais aqui. Amei que eles conhecessem a minha casa e os meus pequelindos. E amei ter passado meu aniversário com eles e meus amigos, na minha casa! O meu aniversário de 39 anos teve um gostinho especial, metafórica e literalmente já que minha mãe preparou a torta de palmito que lembra tanto a minha infância.

O segundo quadrimestre
No inicio de maio, logo depois do meu aniversário, meus pais voltaram para o seu Brasil e a minha vida continuou. Se for bem honesta, ainda que tivesse pegado uns dias de férias tanto no trabalho como no mestrado, as aulas tinham virado eternas. A cada sábado que passava acordar cedo se tornava mais e mais difícil. As tarefas acumulavam, o trabalho aumentava e meu tempo de descanso era demasiado curto. Eu estava exausta – e nem havia terminado o primeiro semestre do ano!

Ir ao mestrado merecia a pena por diversos motivos. Um deles, o óbvio, era para crescimento profissional. Sabem, é difícil entrar em um mercado de trabalho estável como é o espanhol. Tinha conseguido, mas não estava no posto de trabalho que gostaria e não ganhava o que merecia segundo minha experiência. O segundo era o idioma. Ainda que meu espanhol fosse muito bom, estudar algo na sua área de atuação no novo idioma sempre abre a cabeça. Para mim, esse contato com o idioma espanhol foi importante para aprender termos e conhecer o PGC – Plan General Contable – que é o GAAP daqui. O terceiro motivo era pessoal. A minha classe era pequena – apenas 16 estudantes – e meus colegas eram tão legais e tão prestativos que foi uma estudar com eles tinha virado uma benção.

O curso acabou no início de julho. Tínhamos, no entanto, que apresentar um trabalho final em setembro. Apesar das aulas terem acabado, tínhamos coisas que fazer durante o verão que foi bastante caloroso.

Honestamente, o verão foi menos caloroso que ano passado porque houve dias mais frescos. Ele, no entanto, começou em junho e durou até setembro. Ele foi longo e forte, mas tinha descansos.

O terceiro quadrimestre
Após apresentar o trabalho fim de mestrado – que aprovamos – tinha mais tempo para respirar. No trabalho, no entanto, não estava feliz. A cada momento, pensava que me iam chamar e dizer que estava demitida até que isso aconteceu. No fundo, apesar da falta que o salário completo fez, foi uma benção disfarçada porque, naquele momento, não teria pedido demissão nem buscado outro emprego. Meu orgulho profissional me impedia.

Explico: sempre me orgulhei de passar dois, três anos em uma companhia. Achava isso lindo no CV e tinha ficado apenas um ano na companhia anterior. Portanto, nessa, eu tinha a intenção de ficar ao menos um ano e meio para então buscar algo novo. Se tivesse seguido o plano, teria ficado extremamente estressada e exausta além de ter perdido algumas oportunidades interessantes.

Acho que a grande lição é essa frase que havia lido há algum tempo, mas havia esquecido: se o plano não funciona, mude de plano, mas não mude de meta.

Amanhã é dia do Gordo, a loteria de Natal. O Gordo sempre traz surpresas agradáveis para essa casa, então manteremos os dedos cruzados e a esperança em alta, sempre.

Termino esse post agradecendo pelo ano que tive. Apesar dele não ter sido perfeito, ele foi perfeito suficiente para mim. Com seus altos e baixos, foi um ano desafiador, mas que amei e aprendi muito. O amor reinou nesse ano e espero que reine no próximo também.

Que 2018 seja um ano com muitas realizações. Que esse seja um ano de concretizações, no qual possamos colher os frutos que plantamos nos anos anteriores. Que esse seja o ano que possamos espalhar o amor porque o amor sempre salva tudo. Em suma, um ótimo 2018 para todos!

Creative Commons License
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2 comentários sobre “21 de dezembro de 2017 – o dia mais curto do ano

  1. Me fez recordar da minha familia aqui no ano passado.
    Familia é tudo de bom!!!!!!!!!!!!!
    Feliz Natal e Próspero Ano Novo!!!! Feliz 2018!!!!!

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