A louca dos gatos

As ironias da vida são engraçadas. Eu sempre critiquei as mulheres que só falavam de seus filhos e as chamava de mães-fraldas. Não aguentava quem só falava de leite, fórmulas, fraldas e mamadeiras. De certo modo, mordi a língua e virei a louca dos gatos.

No começo do ano, pensei em adotar gatos. Eu gosto tanto de gatos como gosto de cachorros, mas os gatos sempre me pareceram muito mais independentes. Queria dois de uma vez e quando conversei com meus amigos gateiros, eles me aconselharam a fazer isso mesmo: dois gatos, de certa forma, dão menos trabalho que um porque um brincará com o outro e ambos se farão companhia. Além disso, poderíamos viajar por alguns dias se deixássemos muita comida, água e dois ou três caixas de areia pela casa.

O Jorge queria um. Eu o convenci a pegar dois. Adotamos três.

Ano passado, meus vizinhos adotaram negro que sempre visitava a nossa casa: ele pulava de um terraço a outro e ficava na porta esperando que a abríssemos. O Ilun era super sociável e a ideia de ter gatos foi crescendo em mim. Nos domingos do último inverno, ele vinha e entrava na casa como fosse sua. Seria legal ter um gatinho em casa…

Há várias associações que cuidam dos gatos na cidade. Entrei em contato com uma e não deu certo. Na época, fiquei bem tristinha, mas sabia que os nossos nos esperavam em algum lugar. Os nossos gatos viriam.

Entrei em contato com Pablo Fuertes, de Gatos Madrid, e pedi dois gatos, independente do sexo. Ele cuida dos gatos da região que eu moro e minha vizinha havia me passado seu contato. Ele me disse que havia três filhotes, de uns quatro meses, no parque. Dois deles ficariam conosco e um iria para outra casa, mas teríamos que esperar. Ele pegaria os gatos, desparasitaría os bichinhos, os daria as vacinas e os socializaria na casa de outra pessoa. Era um processo longo, mas tudo bem. Teríamos nossos pequenos.

No dia 9 de fevereiro, conhecemos a Gini, o Toni e o León. Na época, eles tinham por volta de 5 meses e eram irmãozinhos. O Pablo nos explicou que a pessoa que ficaria com o terceiro acabou adotando outro gato e perguntou se podíamos ficar com ele temporariamente, até achar uma casa. Quem cuida de dois, cuida de três. E o temporariamente se transformou em permanentemente.

León, Gini e Toni no fundo!

Eles eram muito tímidos no princípio. Ele nos explicou que os gatos devem ir de um espaço menor para um espaço maior e tínhamos que deixá-los em uma sala que pudéssemos entrar e socializar com eles.

Os gatos são animais com personalidades muito independentes. Assim como pode haver aqueles que chegam a uma casa e imediatamente se sentem cômodos com seus novos donos, há gatos bastante desconfiados. Acho que a maioria dos gatos que vem da rua para uma casa é um pouco desconfiado e arisco. Os nossos eram e arranhavam porque nos viam como ameaça, alguém que queria machucá-los. Foi preciso muita paciência, muito amor e alguns meses. Não é imediato, mas foi e continua sendo muito gratificante.

Lembro-me que um dia, coloquei o computador em um banquinho e me sentei na dispensa, o lugar que reservamos para eles. Minha casa é engraçada: a cozinha é minúscula, mas há um espaço maior onde fica a geladeira, com armários, que se vê da janela da cozinha. É um puxadinho. Enfim, era um lugar bem ideal porque era grande suficiente para uma caminha, uma caixa de areia, as três tigelas de comida e a água. Era um lugar sem muitos esconderijos – ou assim pensávamos – e que entraríamos com frequência.

Meu gato-coelho: León, el gato

Bom, tinha começado a acariciar o León e levei um banquinho e meu computador para o seu lado. Assim poderia acariciá-lo enquanto estudava. Gini e Toni estavam encima do armário e nos observavam. E eu fiquei lá, ao lado do León, meu gato-coelho, e pouco a pouco nos conhecíamos.

Coração de gatos: Gini, la gata e Toni, el Gato

Em uma semana, deixamos as portas abertas. Eles ainda eram muito desconfiados, mas encontraram um refúgio no meio das minhas roupas de ginástica. Pouco a pouco se deixavam tocar. O Toni foi o primeiro que peguei no colo e a Gini foi a primeira que se deitou comigo, no sofá.

Em dois dias, 9 de novembro, completará 9 meses que eles estão conosco. Hoje, eles dormem conosco e nos chamam. Hoje, eles já nos aceitaram como parte de sua família. ❤ Meus pequeluxos são muito pequelindos!

Em frente: Toni, el gato
Atrás: Gini, la gata e León, el gato

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2 comentários sobre “A louca dos gatos

  1. Oi Tati fico feliz e parabéns, pois essas criaturinhas mudam a vida da gente. Eu também nunca tinha pensado e ter gatos e hoje também tenho dois que vivem aqui cheio de carinhos e mimos. Até porque não tenho netos e nem crianças por perto então sim eles são mimados e a alegria da casa.

    • Oi Emília, tudo bom? Há quanto tempo!
      Muito obrigada pelo seu comentário. Eles são só mimos! ❤ Agora eles já se acostumaram conosco e está bem legal! São mesmo uma alegria!
      Um grande beijo!

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