Viagens: Bais e Bohol – de Golfinhos a Tarsiers

Desde que voltei do Natal, não saí de Manila. E isso tem me deixado em um estado de nervos tremendo…

Não é novidade que uma das coisas que mais gosto de fazer no mundo é viajar e, honestamente, a única grande vantagem que via em viver em Manila era viajar e conhecer, além das ilhas paradisíacas e lugares inusitados, um pouco mais desse enorme continente desconhecido chamado Ásia…

Tinha reclamado que em 2014 não viajei muito, mas a verdade é que não consegui escrever sobre as minhas viagens porque sim que viajei! Acho que em 2014, o Trotamundos se tornou um pouco voltado para o interior, por descrever mais minhas percepções sobre o que me rodeava que minhas experiências na estrada.

Depois de passar o Ano Novo na belíssima ilha de Samal, em Davao, estivemos com nossa amiga Noa, na Páscoa do ano passado, em Dumaguete, onde nadei com tartarugas marinhas e vi golfinhos livres em Bais, na região de Negros Oriental, nas Filipinas. Nessa mesma viagem, ainda fomos outra vez a Bohol, na região de Cebu e terminamos o passeio novamente em Boracay.

Em maio do ano passado, descrevi sobre os dias em Apo Island, mas esqueci completamente de escrever sobre a experiência em Bais ou a volta a Bohol. Também, em junho acabei visitando a Marote em Xangai e em julho teve a Copa… E, como sabemos, brasileiro se esquece de tudo quando chega a época do futebol! Hehe!

Negros Oriental – De Apo Island a Bais:

Saímos de Apo Island um dia antes do que planejávamos: depois de alguns dias com uma privada não funcional e tomando banho de canequinha, começo a não funcionar muito bem. E, como já tínhamos visto as maravilhosas tartarugas marinhas de perto, nosso objetivo já estava cumprido: nos restava Bais.

A cidade de Bais fica a 45 minutos de Dumaguete que é a maior cidade da região e, portanto, aquela que melhor infraestrutura oferece. Infinitamente menor que Manila, a cidade é bem gostosa e tem uma baía que rende um passeio agradável. Enfim, de Dumaguete, se pode contratar passeios de um dia até Bais pelo hotel ou se arriscar a pegar o transporte público e tentar chegar ao destino final.

Bais é a cidade conhecida pelos passeios de barco que permitem ao turista observar golfinhos no seu ambiente natural. O site oficial Go Dumaguete recomenda que se contrate um dos tour oficiais cuja reserva deve ser feita com antecedência, mas, uma vez que se chega ao porto, é possível encontrar barcos privados que oferecem o mesmo serviço por praticamente o mesmo preço. Esse mesmo tour nos levaria ao Parque de Mangues Talabong (Talabong Mangrove Park) e para um sandbar (uma faixa de areia que aparece quando a maré está baixa), mas o ponto alto do tour é assistir aos golfinhos.

Como não tínhamos reservado nada, subimos no único barco privado que tínhamos a nossa disposição depois que nos abastecemos com alguns hambúrgueres de uma loja local que encontramos, algo para beber e salgadinhos e partimos para ver os golfinhos.

Aquele dia estava muito calmo. Chegamos à baía e quase não haviam barcos; somente o nosso e outro maior. Mas tampouco se viam muitos golfinhos. Os nossos guias nos disseram que era um pouco tarde e os golfinhos costumavam visitar a baía mais cedo…

De repente, algo pulou do mar e nos surpreendeu. É incrível como eles são rápidos, mas, de um momento para o outro, estávamos os quatro olhando para todos os lados porque manchas cinzas não paravam de pular do mar e voltar para ele: os golfinhos começavam a fazer festa.

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O capitão do barco fazia seu melhor para que chegássemos perto dos cardumes e todos, armados com câmeras fotográficas e celulares, tentávamos tirar alguma foto que fizesse juz àquilo que presenciávamos.

Não consigo descrever a emoção de ver golfinhos nadando no mar, livres. Eles brincavam entre eles e saltavam, como se estivessem em um show. Só que não! Era ainda mais incrível porque, naquele momento, tive a noção exata de como lugares como SeaWorld eram, de fato, prisões para esses seres que tinham todo o mundo à sua disposição.

Tiramos muitas fotos e, honestamente, poucas ficaram boas porque os golfinhos eram rápidos demais ou estavam muito longe. Vê-los na natureza, em seu habitat, foi algo sem preço cuja sensação foi indescritível e, de brinde, ainda consegui a imagem abaixo que valeu por toda a viagem!

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Tive que interromper a viagem porque não puderam me dar todos os dias de férias que havia pedido (sim, foi ridículo). Então, enquanto deixava meus amigos para se divertirem em Bohol, voltei por um par de dias (literalmente) a Manila antes que voasse a Bohol para encontrá-los.

Central Visayas – Bohol:

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Já havia estado em Bohol, mas essa é uma região que gosto muito nas Filipinas. Além da praia de Panglao, de areia branca, a região oferece incríveis restaurantes (um dos quais queria muito voltar, mas, quando fomos, já havia sido fechado) e muitas outras coisas para se ver, incluindo os Chocolate Hills e os menores primatas do mundo, os tarsiers.

Bohol foi uma das regiões mais afetadas durante terremoto de magnitude 7.2 de 2013, destruindo grande parte da região, inclusive muitas igrejas. Até aquele abril, muitas igrejas permaneciam em ruínas e foi possível entender brevemente o terror que deve ter tomado conta da população naquela manhã de domingo…

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O motorista que havíamos contratado nos contava que graças a Deus o terremoto não havia ocorrido meia hora antes porque a igreja, de pedra e que havia sido destruída por completa, estava cheia e uma tragédia ainda maior ocorreria.

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Acho que isso mostra o como os filipinos são religiosos e o quanta fé em Deus eles colocam. Já falei um pouco sobre isso nas minhas postagens no Brasileiras pelo Mundo, mas um dia escreverei mais sobre isso…

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Enfim, visitamos os tarsiers que são considerados os menores primatas do mundo e só podem ser encontrados no Sudeste Asiático. São animais noturnos que vivem em árvores e se alimentam, basicamente, de insetos. Eles estão ameaçados de extinção e dizem que eles foram usados como inspiração para o E.T. de Steven Spielberg embora eu acredite que eles se pareçam mais ao Master Yoda de Star Wars (de fato, tirei foto há alguns anos com o próprio porque eram iguais).

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Embora exista uma parte de mim que goste de ver esses animais, há outra que realmente se sente mal ao entrar no seu território em um horário que eles deveriam estar dormindo. Tento fazer o mínimo de barulho possível, mas desconheço a sensitividade auditiva desses animais assim que posso estar incomodando ainda assim.

Os Chocolate Hills são outra das maiores atrações na região e são assim chamados porque, na época de seca, eles se tornam marrons como se fossem montes de Chocolate Kisses da Hershey’s. Eu nunca os vi dessa forma – as duas vezes que fui, estavam cobertos pela grama verde, mas acho essas formações montanhosas encantadoras, quase como um desenho infantil. Estima-se que há entre 1,268 a 1,776 montes individuais, todos em formato cônico.

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Diz a lenda que eles surgiram devido a briga de dois gigantes que durou dias nos quais um jogava no outro pedras e areias. Exaustos, eles esqueceram suas desavenças e se tornaram amigos, mas deixaram a bagunça para trás. Outra lenda, mais romântica, diz que o gigante Arogo se apaixonou pela mortal, Aloya. A morte de Aloya deixou o gigante em tal estado de dor e miséria que ele não conseguiu parar de chorar e suas lágrimas formaram os montes.

Como chegar:

Até Dumaguete, pegamos o voo de Cebu Pacific. Para se chegar a Bohol, de Dumaguete, há dois caminhos: de avião, se pega um voo de volta a Manila outro de Manila a Bohol ou através de balsa.

Se a forma escolhida for balsa, é altamente recomendado que se compre o bilhete com antecedência no porto de Dumaguete. A dica seria ir diretamente ao porto, no momento que se chega a cidade. Assim, pelo menos, a parte de trânsito já estará garantida.

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6 comentários sobre “Viagens: Bais e Bohol – de Golfinhos a Tarsiers

    • Oi Joe! Kuya quer dizer irmão maior, ou algo parecido. É a forma como chamamos a um homem/menino que conhecemos. Seria o equivalente a “cara” ou “moço” ou até mesmo “brother” no Brasil. O equivalente para mulheres é ate!

  1. Oi Tati
    Quero ir às Filipinas nas minhas férias, agora, em junho. No entanto, tudo quanto li diz que em maio começa a temporada de chuvas. Isso não varia de acordo com a localidade? Tinha a esperança de que houvessem ilhas em que eu pudesse contar com o sol. Será que devo adiar meus planos de ir às Filipinas em junho? Sabe algum site em que posso verificar o histórico das condições climáticas por região do país?
    abrç

    • Olá Lele! Obrigada por acompanhar o Trotamundos! 😊
      Você pode verificar o PAGASA, mas é muito difícil – para não dizer impossível – saber como será o tempo em um mês: os tufões aparecem de uma hora para outra e, muitas vezes, mudam de rota.
      A decisão é sua, mas ir entre junho e novembro é arriscar. Não é que nessa época uma nuvem negra cubra as Filipinas e não pare de chover; há dias de sol. Mas há dias de muita chuva também. Entre fevereiro e março, a possibilidade de chover é muito menor, mas essa é a alta temporada.
      Boa viagem!

      • Obrigada Tati
        Eu na verdade estava pensando que podia ser meio como a Tailândia, em que as monções tem períodos invertidos, nas costas leste e oeste. Como não parece ser o caso, acho que vou deixar para quando a estatística estiver a meu favor.
        Abrç

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