Samal e Davao

Em todos os meus anos de trabalho que já passam os dois dígitos, o recesso entre o Natal de 2013 e o Ano Novo foi o primeiro que tive em minha vida. Super feliz, tinha planejado passar um Natal-sem-ser-Natal em Hong Kong e o Reveillon sem cara de Reveillon em Shanghai, com minha amiga Chris Marote, de China na Minha Vida.

Como o “destino” não quis (isso é, a imigração filipina ainda não liberou meu visto de trabalho nem meu passaporte), tive que planejar uma viagem pelas Filipinas. Porque, em toda a vida, ninguém merecia ficar o primeiro recesso de dez dias, entre as festas de final de ano, em Manila.

Davao é uma cidade que fica na região de Mindanao, ao sul das Filipinas. A sua região metropolitana é a terceira maior do país, em quantidade de população, e a maior em extensão territorial porque é uma cidade sem os arranha-céus que há em Manila. Em resumo, ela é um monstro.

E ela é um monstro que cresceu sem planejamento. Sem crítica alguma, constatando apenas um fato, a cidade não tinha calçadas e, quando perguntei o motivo, a resposta foi falta de planejamento. Como acontece a qualquer outra cidade grande nessa ilha de Lost.

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Entendo que a falta de calçadas gera certo choque. Eu mesma, que tinha lido em uma revista algo sobre esse problema, não entendi muito bem. Como assim, uma cidade sem calçadas? Como as pessoas caminham pela cidade? Como circulam no meio dos carros?

Passamos um dia na cidade e, para ser honesta, ainda não saberia responder às perguntas sem que outras apareçam então vou deixar algumas fotos para que vocês possam ver como são as ruas. Afinal, uma imagem vale mais que mil palavras.

Na cidade, escolhemos o Anisabel Suites para ficar. Escolhemos porque, segundo o Agora (minha bíblia quando reservo hotéis) era bem localizado, mas o hotel era uma gracinha, o café da manhã era bem gostoso e o atendimento excelente. Por uma noite, pagamos PHP 2,250.00.

De acordo com o Trip Advisor, existe muita coisa que se fazer em Davao. Inclusive, se pode visitar o Philippines Eagle Centre que é o centro de preservação da águia filipina em extinção, ítem que ficou pendente. No entanto, em apenas um dia, fizemos o que foi possível: visitamos o Eden Nature Park, o Crocodile Park e o Japanese Tunnel.

De longe, o que achei mais interessante foi o Japanese Tunnel porque, embora de curta extensão, é possível perceber como um soldado japonês viveu durante a II Guerra Mundial, enquanto estacionado nas Filipinas, em um túnel baixo e úmido.

O Eden Nature Park é um resort que abre suas portas para visitantes. Por PHP 200,00, se pode caminhar pelo parque, ir à piscina, ver (e entrar) em seu viveiro de borboletas, passear pelo aviário e caminhar pelo lugar. É um lugar para se respirar ar puro, mas, particularmente, não achei um lugar excepcional; achei o viveiro pequeno e apertado para a quantidade e o tamanho das aves, mas achei bem interessante ver um inseto-vara (stick insect) que se parece mesmo a um galho!!! =) Nunca o tinha visto em minha vida e, se o tinha visto, nunca o tinha percebido.

Não gostei do Crocodile Park porque os animais vivem em lugares minúsculos. É verdade que não se encontra somente crocodilos no parque; há aves, cobras, avestruzes e até tigres. No entanto, para se ter idéia, o lugar onde os tigres são mantidos é minúsculo – a área de exercício não é suficientemente grande para um SER HUMANO se exercitar propriamente, quem diria um tigre que, antes de dar dois passos, já estaria com a cara grudada em uma das grades.

Odeio lugares onde a condição que os animais são mantidos é abaixo do péssima. Acho uma brutalidade um animal não ter espaço para se movimentar ou mesmo para abrir suas asas (o que acontece no aviário desse lugar) e, por esse motivo, não recomendaria o Crocodile Park a ninguém. Acho que o lugar tem que aumentar e criar melhores condições para os animais. Escrevi uma crítica no Trip Advisor que foi recentemente publicada.

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Como Davao é uma cidade e queríamos praia, fomos a ilha de Samal no dia seguinte para cinco dias de paz e tranquilidade. Reservamos um quarto no Tiki Beach Resort, que tinha sua praia privada.

O "harbour" e o barco do dono! =)

tiki_praia_privada_trotamundostatisato

Não imaginávamos que a semana de paz e tranquilidade seria SOMENTE de paz e tranquilidade. O Tiki Beach Resort não tinha conexão de internet e tínhamos que depender da conexão que tínhamos nos celulares o que era bastante inconstante. Para ser honesta, Samal é uma ilha com uma enorme montanha no meio e, acredito, que o sinal de internet não seja bom.

Por dias, éramos os únicos no hotel. Todas as refeições eram servidas na praia e me sentia como se fosse uma madame, com mordomo particular que me trazia o café-da-manhã, almoço, jantar e cocktails. “Quero um café, por favor?” “Você poderia me trazer uma piña colada? Obrigada!”. Tudo bem estilo Ilha de Caras!

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O quarto que estivemos era bastante confortável e nos deram um upgrade; tínhamos contratado a suíte normal e nos deram uma com vistas para a praia privada. O café-da-manhã (incluído na diária) era servido na praia privada do hotel e o omelete de presunto, queijo e cebola era ótimo. A verdade é que a cozinha do Tiki Beach Resort era de excelente qualidade e todos os pratos que pedimos (almoço e janta) estavam muito gostosos!

Fizemos island hopping e conhecemos os giant clams, os moluscos gigantes, ameaçados de extinção porque são usados como decoração e para a alimentação. O capitão do barco nos ofereceu dois mergulhos pelo preço de um. Nunca tinha mergulhado, com tanque, em toda a vida e foi uma experiência maravilhosa! A verdade é que eu consumo muito oxigênio porque sou fumante, mas o mundo que se vê embaixo do mar é completamente diferente daquele que se vê acima. Os corais formam condomínios de peixes, com todas suas cores e beleza. Sabe “Procurando Nemo”? A sensação é bem essa: de que estamos em bairros ocupados por peixes, estrelas do mar e ouriços. É incrível!

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Um dia, saímos pela ilha. Pediram que assinássemos um waiver of responsibility, ou seja, um documento que isentava o resort de responsabilidade pela nossa segurança.

Para dar uma pincelada rápida, parte da região de Mindanao é considerada perigosa pelos conflitos que há entre os independentistas muçulmanos e o governo filipino. Como Mindanao é uma região riquíssima em recursos naturais, acredito que o governo filipino JAMAIS dará independência a esta região. De qualquer modo, o conflito está contido em algumas cidades de algumas regiões apenas. E, embora tivemos que assinar o tal waiver, Samal não está listada como uma região perigosa.

Visitamos o Maxima Aqua Park (onde escorregamos até o mar e nos deliciamos com a beleza de um mar transparente que nos permitia ver o coral ainda que não estivéssemos com máscaras de mergulho) e caminhamos até Hagimit Falls, uma benção de água doce e gelada no meio da ilha. Acredito que é um lugar que deveria ser melhor preservado, mas, ainda assim, é um lugar bem bonito.

A areia da praia privada do hotel era lamacenta, algo que eu não gosto muito. Então, um dos dias, pegamos o kaiak do hotel e fomos até uma praia que não estava longe. A praia era deserta. Como disse, tem uma montanha enorme no meio de Samal, que dificulta o acesso por terra a maior parte dessas praias. Deitei à beira mar e, quando brincava na areia, vi algo que parecia um cordão. Meu primeiro pensamento foi ‘mas de onde surgiu esse cordão preto e azul?’, mas no momento seguinte gritava como uma louca: era uma cobra de mar. Era assim de virgem a ilha!

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Recomendo muito uma visita a Samal Island. Um casal panamenho que conhecemos nos disse de outro resort, o Paradise, que fica ainda mais próximo a Davao e também parece ser muito bonito. Esse resort pertence a uma madrileña e a seu marido, um filipino. Descobrimos isso através de um programa de televisão!

Aproveitem!

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Agendamos a viagem pela Cebu Pacific e o bilhete custou, aproximadamente, PHP 6,000.00 desde Manila. Os cinco dias em TIKI BEACH RESORT custaram PHP 21,400.00, com café da manhã.

Como era um resort isolado da cidade e fazíamos, praticamente, todas as refeições lá, gastamos muito durante nossa estadia. Mas não estávamos lá para economizar; estávamos lá para descansar e nos divertir.

Visitem o OANDA para saberem a taxa de câmbio.

Creative Commons License
Trotamundos by Tati Sato is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Unported License.
Based on a work at http://tatisatotrotamundos.com”

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5 comentários sobre “Samal e Davao

  1. Tati, que gostoso ler sua “reportagem”. Você conta as coisas no mesmo estilo da Christine. Muito gostoso de se ler. Estou até agora refletindo sobre aquela grande cidade sem calçadas. É estranho, mas se fosse aqui a gente dava um jeitinho. Acho que aí acontece o mesmo, não é? Adorei seu post.
    Um beijo,
    Manoel

    • Oi Manoel!!! =) Obrigada pelos elogios!!! Mesmo com as fotos, não dá para imaginar uma cidade onde não tem calçadas, não é mesmo? Parece uma coisa… Surreal!

      Tem coisas nesse mundo gigante que ainda me causam muita surpresa, algumas coisas me causam revoltas e outras, simplesmente, aceito porque não tem outra forma de ser…

      Pelo que me lembre, se caminha como se caminharia em uma estrada no Brasil, no meio-fio… É perigoso, mas funciona! 😉

      Um beijo!

  2. Pingback: Viagens: Bais e Bohol – de Golfinhos a Tarsiers | Trotamundos

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