Culturas Invasivas…

Olá! Feliz 2014 a todos!!! Espero que o recesso de Natal tenha sido ótimo e que vocês tenham comido muito. Como a gordola que sou, eu comi! =) E viajei!

Já comentei como odeio gente que cuida da minha vida? Acho que se estou conversando com amigos, vez ou outra, é normal que alguém dê opinião sobre a sua vida. Posso não gostar muito, mas acontece. O que me incomoda mesmo são aquelas pessoas que não me conhecem ou apenas cruzam de vez em quando no corredor comigo e deixam suas opiniões sobre a minha vida, como se eu houvesse perguntado…

Passamos a virada de 2013 para 2014 em um resort chamado Tiki Beach Resort em Samal Island, em frente à cidade de Davao, na região de Mindanao, ao sul das Filipinas. Para escrever sobre essa viagem, tenho que organizar e selecionar as milhares de fotos desse pequeno paraíso que me isolava do mundo tecnológico por algumas horas ao dia (o sinal de internet era muito ruim durante, pelo menos, 12 horas ao dia).

Bem, de qualquer forma, a festa de final de ano foi organizada por eles, com um buffet que continha lechón, costela, arroz valenciano (ou a versão filipina da paella) e vinho neo-zelandês. Dividimos a mesa com uma família de Porto Rico, que tinha recém se mudado à cidade de Davao, vindos de Camarões (sim, o país na África) e um casal de panamenhos que morava na cidade há cinco anos.

Esse resort pertence a um americano e a sua esposa filipina. Ela tinha seis irmãs e um irmão que, em certo momento, decidiu se sentar à nossa mesa.

Ele fumava como uma chaminé. Sou fumante e, embora ache uma falta de educação tremenda ser defumada pelo cigarro alheio, isso não foi o que mais me incomodou. Entre um copo de vinho e outro de whiskey 30 anos (Ballantine’s), o filipino não parava de falar. Particularmente, eu não tenho paciência para conversar com algumas pessoas. Sou assim. Se eu gosto, passo horas conversando, mas simplesmente não tenho tempo e nem paciência (que já é super limitada, por assim dizer) para desperdiçar com pessoas que não acrescentam nada na minha vida. O Jorge, por sua vez, quer saber tudo e até se quando conversa com esse tipo de pessoa.

Tentei ignorar nosso invasor mal-vindo, mas, tiveram momentos que a barreira auditiva que tentei levantar não funcionou.

“Vocês têm filhos?” ele perguntou. A resposta foi negativa “Por quê não?”

Enquanto o Jorge tentava explicar que não era hora, eu simplesmente disse, de forma curta e grossa “não queremos”.

Era de se esperar que o tema mudasse. Mas acho que o (pouco) nada que ele tinha na cabeça estava tão marinado no àlcool que ele bebia que ele nem ouviu o que eu disse. Ou, talvez porque eu seja uma mulher, ele decidiu me ignorar. De qualquer forma, ele simplesmente olhou para nós e disse “vocês deveriam procurar um médico”.

HELLO? Sério mesmo? Quase estourei a garrafa de vinho na cabeça do FDP (mas seria desperdício). Eu, particularmente, acho que ele deveria ter sua lingua cortada e palitos de dentes enfiados embaixo das unhas, mas não disse nada. Calei a boca. Simples assim.

Mas não é tão simples para um filipino; eles simplesmente não conseguem se conter. Moro aqui há três anos e sei que eles são bastante intrometidos. Já ouvi histórias de filipinos que perguntavam desde o preço do aluguel do apartamento de alguém que acabaram de conhecer até quanto uma pessoa recebia de salário. Encontrei taxistas (sim, taxistas!) que me perguntaram o motivo pelo qual não era casada (quase respondi: “deixa eu ligar para todos meus ex-namorados, cuya, e perguntar porque eles não me pediram em casamento”) e, quando finalmente me casei, começaram a perguntar pelo motivo pelo qual eu não tinha filhos. Uma vez, respondi “é que eu ODEIO crianças, cuya”, com um tom de voz carregado de raiva e desprezo. Acho que, naquele momento, ele pensou que o demônio estava em seu carro…

Pensando melhor, acho a nossa cultura, a brasileira, também bastante invasiva. Nos meses que passei no Brasil e fazia 18º, ia ao escritório com um casaco grosso. Muitas pessoas, ao me verem com o casaco, diziam “nossa, se fizer o frio que você está esperando…”

Não acho que ninguém tenha nada a ver com o que eu visto, mas tudo bem. De qualquer forma, eu moro em um país que faz, em média, 28º e cuja sensação térmica em alto verão (meados de abril, princípio de maio) chega a ser de 40º. Então, para mim, 18º é bastante frio (sim, as coisas mudam… Era verão intenso quando vivia na Europa… Enfim).

Como diria minha amiga Raquel, vamos brincar de vida? Eu cuido da minha e você cuida da sua! Se eu quero usar sapato roxo, meia-calça amarela e camisa xadrez e não estou fazendo mal a ninguém, o problema é meu.

Sei que corro o risco de parecer arrogante, mas, a cada dia que passa, descubro que as coisas que mais me irritam nos filipinos são aquelas que me incomodam no povo brasileiro. Acho que ambos têm muitas qualidades, mas os defeitos de ambos os povos são terríveis, beiram o insuportável.

Sou brasileira e me orgulho bastante disso. No entanto, acho que precisamos reconhecer nossos próprios defeitos para que possamos, então, melhorar. Não adianta cobrir tudo com uma linda camada de glacê de bolo porque, se o recheio estiver pobre, de nada vai adiantar os enfeites…

http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/3.0/deed.en_US”>Creative Commons License
Trotamundos by Tati Sato is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Unported License.
Based on a work at https://tatisatotrotamundos.com/

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