Taxistas, uma Raça Paralela

taxi_manila_trotamundos_by_tatisato

Depois de deixar o Trotamundos de molho por mais de um mês (vergonhoso, eu sei), vou recomeçar a escrever sobre um tema repetido que são os taxistas. Mas, nesse momento, preciso expressar minha revolta desilusão com essas pessoas que considero serem de uma raça paralela a dos seres humanos.

Talvez, antes de nascermos, sejamos classificados segundo nossas habilidades, ou seja: se é bom com números, será analista de mercado financeiro, contador ou matemático, por exemplo; se um é bom com palavras, será escritor, advogado ou professor; se alguém é um filho-da-puta e sabe dirigir, é bem provável que se torne taxista.

OK. Isso é uma generalização e como toda generalização ela pode ser um pouco burra, mas fui xoxada tantas vezes por taxistas que passo de acreditar que a maioria seja boa e honesta (embora acredite ainda que algumas pessoas dessa categoria possam sê-lo).

Outro dia, quando voltava para casa, peguei um táxi, como sempre faço. Eu disse “Eastwood, cuya (cuya, aqui, é como se fosse grande irmão ou o nosso “cara”. Se você está falando com um rapaz que não sabe o nome, use cuya que ele entenderá). Pela C5″. Quando percebi, estávamos no meio da favela de Makati quando não há necessidade para atravessar essa cidade para se chegar à via expressa C5. Suspirei fundo.

O pior é que em Manila os taxistas não tentam enganar o passageiro por diferenças altas. Eu teria dado, com prazer, PHP 10,00 mais se ele houvesse me trazido direto para casa, mas ele decidiu me enganar por menos de R$ 0,50. Acreditaria que isso pudesse ter sido um erro de sua parte se não houvesse acontecido outras vezes comigo.

Na semana que cheguei a Manila, há pouco mais de três anos, peguei um táxi para ir à casa da minha, até então, única amiga no país, a queridíssima Fabi Mesquita. Estava em um hotel e pedi que me chamassem um táxi. Assim que entrei, o cuya disse “PHP 500 para Makati, ma’am”.

Estava em Ortigas. Fiz os cálculos e converti para euros. Pela conversão de hoje, PHP 500 é pouco mais que EUR 8,00. Para quem vinha da Irlanda, um dos países mais caros da Europa até aquele momento, não era muito e eu aceitei. Como não conhecia a distância nem sabia como era o sistema, quando o taxista me deu o seu número para que ligasse para ele quando quisesse ir embora, achei normal. Quando cheguei à casa dos Mesquita, fui avisada que tinha levado O golpe porque a corrida não teria que dar mais que PHP 150,00.

Já peguei um táxi de Eastwood até um shopping center que fica ao norte da EDSA, uma das grandes vias que cortam a cidade. Ele teria que virar à esquerda, mas virou à direita. Eu não era turista nem nova na cidade: conhecia meus caminhos. Então, disse “já que você veio por esse caminho, cuya, me leve no SM Marikina”. O taxista, em pânico (muitos filipinos entram em pânico quando os enfrentamos), deu a volta e dizia “I’m sorry, ma’am… I’m sorry, ma’am“.

Levantei uma sobrancelha e perguntei “Você sente muito porque tentou me enganar ou porque tentou me enganar e eu descobri?”, mas não consegui resposta porque, quando entram em pânico, os filipinos tendem a não entender uma palavra do que lhes foi dito em inglês; eles começam a sacudir a cabeça e as mãos (como o nosso gesto para “mais ou menos” que, aqui, significa “não”) e bloqueiam qualquer informação extra. Sério mesmo.

Outro, enquanto ia para o meu antigo trabalho, interrompeu minha leitura para pedir PHP 200,00 para me levar até onde eu tinha pedido, como se eu não conhecesse o caminho. Isso é ilegal, mas não impede que muitos o façam: combinar o preço sem ligar o taxímetro. Sem paciência, disse para que ele desse a volta e me levasse de volta para o ponto onde tinha me pegado porque estava com preguiça de brigar com ele. Ele não o fez, ligou o taxímetro e passou toda a viagem xingando e dizendo “eu não sou mentiroso!”. A viagem custou PHP 131,50 e só por birra, busquei o valor exato para lhe pagar.

Em Manila, já fui expulsa de táxis porque não falava o tagalog. Inúmeras vezes, na hora de rush, acenava para o táxi e, antes mesmo que pudesse entrar, o taxista perguntava aonde eu ia e, quando dizia, ele acelerava. Outras vezes, acenava para o táxi, entrava, dizia aonde eu ia, o taxista dirigia 10m em silêncio, com se pensasse, parava o táxi e me mandava descer.

Agora, próximo ao Natal, os taxistas esperam pelo maldito aguinaldo, ou seja, o bônus de Natal. Esperam não, exigem. Quanto mais próximo ao Natal, maior o valor do tal do aguinaldo é exigido. Se você não estiver de acordo com o preço barganha oferta, não tem problema: você será convidado a se retirar do táxi. Isso tem a ver com oferta e demanda, mas aqui, a oferta e demanda é levada muito à serio: quanto mais se precisa deles, mais eles vão querer cobrar. E que o taxímetro se dane…

Não se enganem, mas não foi somente em Manila que ouvi historias de taxistas. Uma colega minha americana foi ao aeroporto de Congonhas com seu namorado para pegar o vôo para o Rio de Janeiro. A ida, como ela pegou o taxi que o hotel havia chamado, custou por volta de R$ 30,00. A volta lhe custou quase o dobro porque o taxista dava voltas que, embora ela soubesse que não estava bem, não conseguiu argumentar contra.

Quem nunca foi xoxado por um taxista, que atire a primeira pedra. Ainda tenho fé de que existam bons taxistas no mundo, mas, no momento, acredito que muitos tentem tirar vantagem, quando podem… Sério mesmo, cansei dessa raça…

Creative Commons License
Trotamundos by Tati Sato is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Unported License.
Based on a work at https://tatisatotrotamundos.com/

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