Confissões de uma Gordola #ClubedosGordolas

O Brasil faz mal para a minha forma. Pronto, falei. As pessoas podem falar o que quiserem, que eu deveria ter mais força de vontade e comer somente quanto tenho fome. Fácil falar. Sou taurina e quem já leu alguma coisa sobre signos sabe que os taurinos são bons de garfo. E, como uma boa taurina, eu amo comer. Então como posso resistir àquela dúzia de pães de queijo quentinhos, recém-saídos do forno? Missão: Impossível! Nem Tom Cruise seria capaz de tirá-los de mim (e, se ele se arriscasse, arrancaria sua cabeça).

Sinto um prazer indescritível em comer. Lembro dos melhores pratos que provei e até consigo lembrar a sensação que tive quando provei algo que realmente me encantou. Ainda me lembro, por exemplo, a primeira vez que senti o jamón ibérico de bellota derretendo na minha boca e percebi o quão saboroso esse presunto espanhol é. Fecho os olhos e quase consigo sentir o seu gosto…

Então, não é de se admirar que eu, como brasileira, me delicie com os pratos típicos do nosso dia-a-dia. Amo o pão de queijo quente, o caldinho de feijão, o arroz com feijão bem feitos, acompanhados de uma sobrecoxa assada, o pedaço de pizza acompanhado do Guaraná… Não se enganem: adoro essas combinações da culinária contemporânea, a introdução de novos gostos ao meu amplo leque de sabores já provados, mas aqueles que têm espaço cativo no meu coração são mesmo os sabores da infância. O frango com farofa da minha tia Zélia, a torta de palmito e o bife à milanesa da minha mãe, por exemplo, superam quaisquer pratos gourmet que Alex Atala possa colocar em frente ao meu nariz.

E como há mais de seis anos não tenho a oportunidade de comer isso tudo todos os dias, quando venho ao Brasil me esbaldo na culinária local.

Nunca tinha percebido como se come em São Paulo. Além da qualidade e variedade, a verdade é que em São Paulo se come muito. Restaurantes por quilo na hora do almoço, buffet livre na hora do jantar ou rodízios são exemplos da quantidade que um paulistano (ou alguém que esteja na cidade) possa comer. Claro que uma pessoa com bom senso me diria: coma o que você consegue comer, não precisa comer tudo. Mas como convencer a minha inner me que eu, de fato, não preciso comer tudo ao mesmo tempo agora? Como convencer essa pessoa esganada, cujas saudades dos sabores brasileiros a fazem misturar pó de pão de queijo Yoki com queijo e achar isso a oitava maravilha do mundo, de que o suficiente basta? Porque não, o suficiente não basta…

Cheguei ao Brasil há pouco mais de um mês e, certamente, já engordei alguns quilinhos. Percebo o senhor Michelin tomando forma ao redor da minha cintura que, há alguns meses, era bastante mais fina. Porque, embora eu ame comer, também gosto de correr, o que ajuda a manutenção da boa forma. Afinal, o “grande segredo” é simples: gasto de calorias > consumo de calorias = emagrecer; gasto de calorias < consumo de calorias = engordar. Mas para gastar tudo que venho consumindo, teria que fazer três vezes mais exercício físico que estou acostumada, o que não acontece. Porque, todas as vezes que volto do trabalho, alguém sempre me convida para fazer algo que envolve comida e bebida. É… Assim é a vida de uma expatriada que visita sua cidade-natal.

Quando chego ao Brasil, é sempre assim: “Tati, o que você tem vontade de comer hoje?”. E essa pergunta não está restrita à minha mãe, que sabe quais são meus pratos favoritos, mas a todos os meus amigos. Almoço em um buffet livre que envolve arroz com feijão e costelinha é uma tentação que caio, sem culpa. Tampouco resisto ao maravilhoso cardápio do Sushibol (meu restaurante de comida japonesa favorito no momento) que envolve o incrível carpaccio de salmão. Como posso recusar as batatas-fritas com maionese do Joakin’s? E como posso dizer não aos aperitivos e aos finger foods que vem com um copo de cerveja e a companhia de bons amigos?

Nesse ritmo de degustação bacanal gastronômico, sigo minha vida em São Paulo. Só que desta vez a viagem não durará apenas algumas semanas, mas alguns meses. O que me resta é que o Projeto Coelho 2013 (pular muito e comer alface), idealizado pela minha amiga Chris Marote, comece em novembro… Porque, nesse momento, a única coisa que vou fazer é continuar colocando o pé na jaca. Ou melhor, no incrível cappuccino da Kopenhagen.

Cappuccino e Nhá Benta

Cappuccino e Nhá Benta

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6 comentários sobre “Confissões de uma Gordola #ClubedosGordolas

  1. Eu só sei de que as fotos desse post me torturaram e que eu sou como um peixe! (com o prazer do trocadilho do signo heehehe). Se me der comida boa, eu como até sem fome e uma hora explodo!
    Ahhhhh saudade do por kg do meu trabalho com quiche de palmito, strogronoff vegetariano e outros pratos deliciosos adaptados para gente que não come carne e soooooooofre no Brasil pra achar um restaurante!
    Ironia do destino é mudar para Berlim onde todo restaurante tem opção veggie e resolver que voltar a comer carne! hahahaa Definitivamente eu sou do contra no quesito gosto, mas não na fome! NHAM!

    • Bah, você era vegetariana? (passada! Ha!)

      AMO comer… E comer bem! Hehe! As opções de veggie de Berlim são boas? Nas Filipinas, se coloca tudo que contém vegetais na seção de “vegetable” do cardápio… Vegetais cozidos com camarão? Vegetariano… Vegetais com barriga de porco? Vegetais…

      Morro de saudades da comida brasileira… Sempre! 😉

      • oi Tati, eu ERA vegetariana, parei faz qse um ano hehe.
        Eu imagino o tal do veggie na Filipinas pq passava pela mesma coisa no brasil rs.
        Na padaria: Moço, o q vc tem aí sem carne?
        -Tenho pão recheado de presunto
        – E presunto é o que?

        Juro cansei de explicar no brasil q peixe, frango, salame, presunto, salsicha e afins são feitos de carne!

  2. Pingback: Então é Natal… 2013 em Retrospectiva | Trotamundos

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