Jogo de Espelhos

Eu desisto. Cansei de brigar com você. Tentei ganhar essa batalha e não consegui. Tentei pedir o empate e você não me concedeu. Então eu desisto. Eu jogo a toalha e desisto…

Desisti de jogar esse seu jogo de manipulação. Porque, todas as vezes que acho que estou quase vencendo, que vou conseguir derrotá-lo, você aparece e me atira pelo buraco da toca do coelho e eu vou parar em outra realidade. E eu caio e me machuco. Outra vez. Percebo, nesses momentos, que você sempre esteve a muitos passos de mim, que sempre conheceu minhas manobras antes mesmo que eu pensasse no que iria fazer, em qual seria meu próximo passo. Você me manipula com a ilusão de que algum dia eu poderia vencê-lo. E nos momentos que me machuco, você ri da minha cara, como se dissesse “de mim, você não ganha…”

Você criou esse jogo de espelhos e eu, na minha vaidade suprema, acreditei que pudesse ganhar… Mas eu não conheço as regras desse jogo e você sim. Então, se você quer tanto a vitória, fica com ela. Porque eu cansei. Difícil é eu me abrir assim, deixar que qualquer um me conheça dessa forma tão íntima. Mas você conhece todas as minhas fraquezas, todas as minhas verdades. E brinca comigo, jogando com essas vaidades que nem sabia existir em mim. E as exibe de uma forma cruel, na sua sala cheia de espelhos…

Eu nunca me abro para ninguém. Nunca, mas você me conhece muito bem. E, uma vez que você entrou, como posso me proteger, como posso fechar os portões? Não posso… Você atravessou as barreiras e os muros, como se fosse o Cavalo de Tróia. E, rindo, dominou o reino, aquele lugar que eu, na minha doce ilusão, acreditava que ninguém poderia chegar.

Eu rio da minha audácia em pensar que poderia desafiá-lo. Não posso. Então, aceito a derrota da forma mais graciosa que consigo, senhor Ego. O senhor ganhou. Não vou mais resistir, não vou mais competir. Aceito o senhor como parte de mim, como parte inerente da minha pessoa. Como alguém que sempre vai tentar me manipular quando menos esperar porque me conhece de uma forma que nem eu mesma me conheço, como alguém que tem o poder de me machucar. Porque, nesse momento, não quero mais vencer… Cansei de competir nesse seu jogo besta e infantil. Você ganhou. O que eu quero é ser feliz… Quero rir com todos os meus pulmões, só pelo fato de rir, uma risada daquelas que balança o mundo, como se fosse uma criança que descobre as pequenas alegrias da vida. Quero viver a minha vida de forma leve, sem me preocupar com o que vai ser amanhã. E por isso, eu o ofereço a vitória…

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Trotamundos by Tati Sato is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Unported License.
Based on a work at https://tatisatotrotamundos.wordpress.com/

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