Bicol 2013: Legazpi e Donsol

Viajar é preciso. Pelo menos, isso é uma necessidade da minha alma. Nesse fim de semana, que foi extenso por causa do feriado de eleições nas Filipinas, fui com um amigo a Bicol, uma das minhas regiões favoritas nas Filipinas.

Amo Bicol porque tem uma beleza natural impressionante. Da cidade de Legazpi, se tem uma vista impressionante do vulcão Mayon, cuja forma quase perfeitamente cônica encanta. Ele também é um dos vulcões mais ativos das Filipinas, sendo que no princípio dessa semana ele “cuspiu” algumas pedras, matando alguns turistas e um guia local. Sei, é perigoso, mas não chegamos tão próximos ao vulcão assim. E, bem no fundo, tinha o desejo de poder tirar fotos estilo National Geographic, com a lava laranja escorrendo montanha abaixo… OK, os desejos podem parecer suicidas, mas já imaginaram o quão linda uma foto assim seria? Eu sim e morro de vontade de ter uma!

A nossa viagem começou na estação de ônibus de Araneta, em Cubao (Araneta Bus Station, Cubao). Ao contrário das estações de ônibus que ficam ao longo da EDSA (cada companhia tem a sua), a Araneta é realmente uma estação de ônibus no qual se entra e se pode encontrar ônibus para diversos destinos, através de várias companhias. O problema é que a estação era um galpão enorme no qual se encontram cabines de metal, sem ar-condicionado algum, nos quais se compram os bilhetes de ônibus para os diversos destinos. O cheiro da estação era uma mistura de suor humano com algo de decomposição (sim, era nojento) e o Roberto, meu amigo espanhol, era o único branco que se via ao redor.

Araneta Bus Station

Estação de ônibus Araneta, em Cubao, Quezon City

Agarrei em sua mochila e disse “não quero me perder de você, afinal você é o único branquinho da estação inteira!”. Ele riu e respondeu “é mais fácil eu te perder que ao contrário…”. Sim, isso é verdade. Afinal, embora não seja, posso me passar por uma filipina, se permaneço de boca fechada.

Encontramos o grupo com o qual viajaríamos (e tinha mais um branquinho! Haha!). Como já comentei, viajar pelas Filipinas pode ser algo bastante complicado se você não fala o idioma local, o tagalog. Bem, acho que até para quem fala o tagalog, viajar por aqui é complicado por causa dos ônibus (que saem de diversos locais de Manila) ou dos transportes locais, como barcos, tricycles ou jeepneys. De qualquer forma, um colega me deu o link para o Travel Factor que organiza viagens ao redor das Filipinas e, nesse fim de semana, tínhamos a oportunidade de ir a Donsol.

A primeira parada era Legazpi. Localizada a 12 horas de Manila, em ônibus, vale a pena conhecer a cidade por causa do vulcão. Sempre prometo que não voltarei a fazer esse tipo de viagens, mas sempre quebro minhas promessas por bons motivos. Além disso, viajar em ônibus é, geralmente, mais confortável que viajar em van porque os assentos dos ônibus reclinam. O problema de se viajar em ônibus nas Filipinas é a temperatura interior devido o ar-condicionado: recomendo sempre levar uma jaqueta e, se tiver espaço na mochila, um cobertor de avião ou uma echarpe grande que possa ser usada como cobertor. Se bem que a temperatura interior não é uma desvantagem só dos ônibus: em aviões da Cebu Pacific acontece a mesma coisa. Sempre levo minha manta e uma jaqueta para não morrer congelada ou sofrer com o choque da diferença de temperatura.

Fomos ao Lignon Hill, de onde se tem uma vista impressionante do vulcão, a Daraga Church e às ruínas da Igreja de Cagsawa, de onde alugamos um ATV (ou quad) para percorrer alguns quilômetros. A última vez que estive em Bicol, fizemos praticamente o mesmo roteiro, mas vale a pena. O aluguel do ATV em Cagsawa custava PHP 600,00 (algo em torno de EUR 12,00 ou R$ 30,00), mas não queria dirigir o meu ATV e decidi pegar carona com o meu amigo… Era mais seguro!

As vistas de Lignon Hill

As vistas de Lignon Hill: a cidade e a costa e as vistas do vulcão Mayon… Ainda o considero impressionante!

ATV em Cagsawa: super fun!!!

ATV em Cagsawa: super fun!!!

Em Donsol fica o único santuário dos tubarões-baleias do país. Esses animais são enormes (medem até 12m de comprimento) e, com sorte, podem ser vistos nessa região de fevereiro a maio. Como é um santuário no qual os tubarões-baleias passam uma vez ao ano (e não um Sea World, no qual eles ficam presos), o turista pode ou não vê-los, depende da vontade dos animais. Eles se alimentam de plâncton (imagino que devam comer o dia inteiro para que possam ficar satisfeitos) e, ao contrario do que o nome possa sugerir, são considerados bastante mansos.

Infelizmente essa foto não é minha...='( O crédito é da WWF!

Infelizmente essa foto não é minha…='( O crédito é da WWF!

Os barcos saem bem cedo da praia. Antes da busca ser iniciada, um vídeo com instruções de como se deve proceder é mostrado para todos os que vão pegar o barco. Cada barco pode levar até seis pessoas e quatro tripulantes, um dos quais é o guia que se responsabilizará por dizer por onde se tem que mergulhar e instruir os turistas em como se deve proceder. Há também o cara que comanda o barco e outros que ficam observando o mar em busca desses animais que deram fama à região.

Um dos caras que buscava os tubarões-baleias estava no teto do barco e estava todo coberto! Ele parecia um seqüestrador-pirata! Foi inevitável tirar uma foto! 😉

Nosso "sequestrador-pirata"! Haha!

Nosso “sequestrador-pirata”! Haha!

Vimos um cardume de golfinhos que passeavam pela região. Porque nadam rápido, não foi possível tirar nenhuma foto desses animais incríveis. E, infelizmente, tampouco foi possível ver um tubarão-baleia já que nenhum resolveu dar o ar de sua presença… Paciência. Fica para o próximo ano, já que ver um desses animais no seu habitat é algo que ainda faz parte do meu bucket list!

Infelizmente, os tubarões-baleias não concordavam comigo...

Infelizmente, os tubarões-baleias não concordavam comigo…

O mar em Donsol e outros barcos em busca dos tubarões-baleias...

O mar em Donsol e outros barcos em busca dos tubarões-baleias…

O tour ainda incluía um passeio para ver os vaga-lumes no rio, próximo ao resort (Shoreline) que ficamos em Donsol. Apesar de estar absurdamente cansada, ver tantos vaga-lumes juntos foi maravilhoso. Quando um dos guias pegou um vaga-lume em suas mãos e me mostrou, lembrei-me que meu primeiro namoradinho, quando tinha meus 10 anos ou algo assim, decidiu pegar vaga-lumes, no acampamento que estávamos, para me dar de presente. Como nossas memórias são engraçadas…

A volta foi um pouco mais dura… No meu assento, parecia que existia uma barra de metal exatamente onde estava a minha bunda. E, viajar assim por 12 horas, não é algo exatamente confortável. Não que eu não tenha dormido (quando estou entediada, meu cérebro entra em módulo espera e eu durmo), mas não foi confortável. E, ao chegar à Manila, um dia na academia para que meu corpo pudesse voltar ao seu formato normal e uma hora de massagem pareciam inevitáveis.

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O Travel Factor (travelfactor.org) foi companhia que organizou nosso tour. Por PHP 5,950.00 (algo em torno de EUR 120,00 ou R$ 300,00), ele incluía entradas para todos os lugares (até para o passeio de barco em busca dos tubarões-baleias), acomodação e quatro refeições (almoço e janta, no sábado que chegamos, e café-da-manhã e almoço no domingo). Não é barato, mas, provavelmente, se fôssemos sozinhos, toda a viagem não sairia muito mais em conta que isso. E tivemos a oportunidade de interagir com outras pessoas do grupo! Além disso, o Ron e a Tikoy que nos acompanharam foram super simpáticos e solícitos. Recomendo!

Shoreline Beach Resort: o hotel era bastante simples, mas bastante confortável. Ficamos no complexo anexo (quarto 10), e o chuveiro tinha boa pressão embora fosse frio (já comentei que banho de água quente não é padrão aqui). O problema é que um córrego separava a parte principal do hotel (leia-se, onde ficava a recepção/restaurante) do complexo anexo. E córregos significam presença de sapos… E, como era de se esperar, alguns (para não dizer muitos) estavam no caminho entre o quarto e o restaurante. Acho que meu trauma de sapos será superado pelo tratamento de choque… =/

Bigg’s Diner: Localizado em Legazpi, tenho que confessar que as memórias que tinha desse restaurante em estilo americano eram melhores que a comida, de fato. No entanto, o cheeseburger com queijo azul (blue cheese burger) estava delicioso e as batatas também. E o chá gelado do Bigg’s também é bem gostoso, com a quantidade suficiente de açúcar.

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